Anotações Dispersas


Quinta-feira, Outubro 18, 2007
Já tá encomendado
Teu presente de aniversário.


Sexta-feira, Setembro 08, 2006
sexta de tarde, feriadão
encontrar-te daqui a pouco na oswaldo
escolhi os brincos pensando em ti
bem mulherzinha


Segunda-feira, Agosto 07, 2006
Ainda novidades entre nós.


Ontem meu brinquedinho até então particular foi pra cama conosco.
E o baú com espelho nunca esteve num lugar tão perfeito nessa casa.
Não que eu saiba, pelo menos. Essa casa já foi tão frequentada que sei lá.


Sábado, Julho 08, 2006
Em outros tempos esses versos que tenho escutado tanto
me fariam querer morrer
e hoje vivo com meu Dionísio
que bom que não se morre disso, meu deus.


Quinta-feira, Junho 15, 2006
Estivemos andando por terreno perigoso
confissão de desejos
constatação de parecências



Domingo, Junho 04, 2006
por via das dúvidas
mantenho as unhas curtas.



Segunda-feira, Maio 29, 2006
um tanto lésbia
no olhar
mulheres me fazem virar o pescoço
algumas são fascinantes
mas só de longe
apenas uma o é de perto
um prazer secreto.




Sexta-feira, Dezembro 09, 2005
Quase um ano sem aparecer aqui. Um ano muito especial, excepcional, adorável, feliz.
Ontem me apaixonei de novo. A primeira vez foi naquele feriado em setembro, há mais de um ano.



Quarta-feira, Janeiro 26, 2005
Desejamos uma casa.
Varanda com rede e trepadeiras.
Fogão à lenha. Cultivar flores e cogumelos.
Internet rápida, um pouco de tecnologia. A vida que pedi a Deus.
31/12



alguma coisa acontece no meu coração
toco um pé
embaixo das cobertas.
Temo que não passe de um simulacro
O que sinto,
Mas sinto
E não durmo
A luz da vela ilumina meus desejos
De dias melhores
Eles, os dias melhores, já estão aqui.
Um homem, confiante e desconfiado
Dorme a meu lado
E temos medo.
10/08



Segunda-feira, Dezembro 13, 2004
Me perturba, seus olhos me comem, sua boca pede mais um beijo, eu dou.
A ela, qualquer coisa.




Sexta-feira, Março 26, 2004
ODE DESCONTÍNUA E REMOTA PARA FLAUTA E OBOÉ.
DE ARIANA PARA DIONÍSIO.
Hilda Hilst

I
É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora
E sozinha supor
Que se estivesses dentro
Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora
Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.

II
Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu
Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.

III
A minha Casa é guardiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência
E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.
A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
À uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta
Por que recusas amor e permanência?

IV
Porque te amo
Deverias ao menos te deter
Um instante
Como as pessoas fazem
Quando vêem a petúnia
Ou a chuva de granizo.
Porque te amo
Deveria a teus olhos parecer
Uma outra Ariana
Não essa que te louva
A cada verso
Mas outra
Reverso de sua própria placidez
Escudo e crueldade a cada gesto.
Porque te amo, Dionísio,
é que me faço assim tão simultânea
Madura, adolescente
E por isso talvez
Te aborreças de mim.
(...)

[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]




Tenho rezado muito pra Sta Hilda Hilst a oração que ela me ensinou:
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
que me exclua do estar sendo perseguida.
e do tormento
de só por ele me saber estar sendo.



Segunda-feira, Março 08, 2004
Sim, sou uma mulherzinha idiota e convencional. Sou estúpida o suficiente pra fazer planos de passar o fim de semana, pelo menos um pedacinho dele, com meu namorado. Mas ele foi cuidar do espírito e deixou minha carne à míngua. Azar o meu, não é mesmo?
Sim, eu sei, eu sei. Padrões de reação repetem-se ad infinitun.